terça-feira, 1 de junho de 2010

NÃO POSSO

Sou o avesso do mundo
a folha que seca nos galhos
o Oceano mais profundo
a atitude dos revolucionários
o acorde invertido
as pirâmides do Egito
a era do Elo Perdido
o pão na mão do mendigo
a sede do sertão
o Trópico de Câncer
os terremotos do Japão
o selo da carta postada
a fita do presente
a transeunte atropelada
a faixa do presidente
o papel jogado no lixo
o escritor analfabeto
o pretérito mais-que-perfeito
sou seu tataraneto
o alimento do peito
os olhos fechados no escuro
a vida procurando seu rumo
em Berlim eu era o muro
o dia do anti fumo
eu fui o seu filho
o frio aquecido
da estação o trilho
eu sou o desconhecido
o braço direito da fé
o pomo-de-adão
a estátua de pé
o solstício do verão
o rei sem sua rainha
sou aquilo que falta
do Equador sou a linha
desses garotos o mais peralta
a sorte do azar
simplesmente
sou aquele que não posso ser.

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